segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009


6. Voltei aquela praia, à nossa praia.
Há umas que são bonitas pela imensidão de areia, outras pela violência das ondas e bravura do mar. Outras ainda pelo seu cheiro salgado ou pela família de gaivotas que abriga desde sempre. Sobram as que são caracterizadas pela coragem dos pescadores e a fé das mulheres das sete saias, e ainda as concorridas pelo sol diário. A nossa não. É uma praia de ondas frias e rebeldes, capazes de nos gelar a alma. É uma praia sem gente que se aventure no mar ou na areia. É uma praia rochosa e esteticamente pouco sensual. Mas tudo nela é tocado por ti. A rebeldia do mar lembra-me o teu cabelo sempre em desalinho. O ar frio recorda-me os dias de Inverno em que, ali, me aquecias as mãos. O cheiro a fresco traz-me de volta a tua sede de viver, a tua eterna juventude. A quantidade de algas assemelha-se ao tom dos teus olhos. A areia deserta mostra-me como estou só agora, ali, sem ti.
Esta praia tem a magia das recordações, de momentos e sorrisos jamais esquecidos. Esta praia tem-nos no perfil gravadas e isso faz-nos chegar mais perto do horizonte, e tocar-lhe, de olhos fechados.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Sabes que gosto de sentir a tua mão aquecer a minha e que me abraces, em silêncio, quando me apetece chorar. Gosto do silêncio e de encostar a cabeça no teu peito, nos raros momentos em que estou calma. Gosto do teu metro e oitenta e dos teus caracóis.
Sei decor a maneira como dizes os ‘v’s’, carregados, à Lisboa. Conheço-te manias e resmunguices. Gosto que digas a mesma coisa que eu e que penses antes de o dizer, para equilibrares o facto de eu dizer tudo sem pensar. Gosto da maneira delicada com que dizes o meu nome e dos teus beijos na testa para me mostrares que estás ali, sempre ao pé.
Gosto que sejas presunçoso e tenhas a mania que sabes tudo para que me seja mais fácil contrariar-te. Gosto que não me saibas mentir e que não me resistas e digas que não. Gosto da coerência com que falas e ages e gosto de te ganhar sempre. Gosto que me entendas quase sempre e que não digas nada em relação a assuntos que me doem por dentro, sabe-me bem esse silêncio. Gosto da tua disponibilidade e de saber que estas sempre pronto para me ouvir e receber, seja em que dia, hora e circunstância for. Sim, estou certa que te tenho e é por isso que me dou sem medos, sei que não me magoarás. Tenho-te como amigo certo e sorrio da mais pura felicidade, pois sou que sou tua de alma e coração, sem limitações ou receios que tinha ao início.
Amo-te, por tudo o que és e me dás.
Sim, ainda sinto uma fábrica de borboletas no estômago. É bom, não é amor?

Parabéns amor =D

sábado, 24 de janeiro de 2009



4. Estou na cama a olhar o tecto na escuridão do quarto. Este é o nosso momento de viajar, lembraste? Sempre me ganhaste neste ponto. Permanecias mais tempo lúcida a viajar. Eu, além de adormecer primeiro, perdia-me sempre num mesmo assunto, se estivesse sozinha. Contigo era diferente, o assunto nunca se esgotava. Eu falava mais do que tu, sem dúvida, mas tu davas as respostas mais eloquentes, que exigiam pensar muito antes de responder. Era divertido e acima de tudo, apaixonante conversar a sério contigo. Não digo falar, que nisso eras como todos nós: tretas. Mas a conversar exiges mais que os outros, não te contentas com meias-palavras, mas adoras meias-frases. Às vezes irritava-me que já soubesses o que eu ia dizer, que antevisses as respostas. Mas deixei de me importar, habituei-me a falar só metade e deixar-te descobrir o resto. Ao fim de um tempo tornou-se tão natural fazê-lo que o restante grupo mesquinho a quem chamávamos amigos discutia connosco. Pensavam que éramos como um casal velho, rabugento, que falava entre os dentes um para o outro. Não. Se tivéssemos de ser um casal velho, não era por isso. Era pela cumplicidade e pelo conhecimento mútuo. Era pelas histórias conjuntas e as lágrimas doces de uma vida a dois.
Preciso criticar um deus qualquer que habite neste ou noutro céu. Preciso dizer-lhe como ele é mau e rancoroso. Como ele exagera na cobrança dos pecados. Pequei imensas vezes, “por palavras, actos e omissões. Por minha culpa, minha grande culpa”. Arrependi-me por vezes, noutras tantas, acho que foi a melhor das hipóteses. Seja como for, com redenção de pecados ou não, não merecíamos isto. Não merecíamos ficar uma sem a outra. O Deus em que milhões acreditam não é um deus amigo e justo. Como pode ser a criança de seis anos - que está ali, na praça a pedir esmola - merecedora dessa vida de pobreza e podridão? Como é que com seis anos pode ter tantos pecados que o façam querer vê-la ali, anos a fio a pedir apenas pão? É um deus mesquinho e caprichoso esse de que tantos são devotos. Tu não, tu dirias: “é isso mesmo!” a estas minhas palavras.
Tenho saudades de falar assim contigo, sobre tudo e sobre nada ao mesmo tempo. Misturar coisas importantes com coisinhas fúteis que nos animam a vida. Tenho vontade de te chamar para dormires comigo e começarmos a falar da vizinha e acabarmos na nossa infância. De ficarmos depois caladas a pensar em como era a vida antes. Toda a gente divide a vida num antes e num depois. Antes e depois de casar. Antes e depois de ter o primeiro filho. Antes e depois de se divorciar. Eu divido no antes e depois de ti. No antes e depois de te conhecer. No antes e depois de entrar no teu mundo e te abrir a porta do meu. É como se a minha existência fizesse muito mais sentido após fazeres parte dela. Ensinaste-me a ser eu. Mostraste-me o que é ser importante e por isso, passei a amar muito mais a vida. E por isso, passei a amar-te a ti.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009


3. Sinto-te triste. Sinto-te e sei que não te sinto. Acho que a loucura será mesmo o meu fim… Deixo-me levar pelo meu cérebro quase parado dividido entre as sínteses e as sístoles dos vários sons que tem de descodificar. Devia baixar o som da música e desligar a televisão. As músicas trazem-me cada vez para mais perto a ideia de que estás cada vez mais longe e que não voltarás a canta-las para mim na varanda do meu quarto. A televisão reflecte a decadência do meu estado de espírito com novelas que começam e acabam sempre da mesma forma e cujo intermédio de ambos não vale a pena ver. Não o faço. O silêncio magoa-me mais ainda.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

domingo, 4 de janeiro de 2009

2.Acordei lavada em lágrimas. Pedaços da dor que o meu inconsciente libertou para aliviar a pressão e todo o emaranhado de sentimentos e pensamentos do eu consciente.
É estranho saber que não estás mais aqui, ainda que estejas sempre comigo. Magoa-me pensar que posso precisar de dar uma gargalhada e ver os teus olhos sorrirem também pela minha alegria, e não os ver. Dói-me saber que posso ficar ferida e precisar de um abraço e não sentir a firmeza dos teus braços e o teu cheiro familiar e característico. Destrói-me estar certa que nada será igual.
Acordei lavada em lágrimas. Quero ouvir algumas palavras de amor e só ouço vozes estranhas. Quero os teus sons e os teus lábios a dizê-las, não uma outra qualquer voz que não reconheceria de olhos vendados. Quero-te a ti.
Dou por mim de olhos fechados a imaginar os encontros que não tivemos e as palavras que não te disse. Temo ficar louca mas não repugno a ideia. Sempre me disseram que os malucos são felizes.

sábado, 3 de janeiro de 2009

1. Vi-te ontem pela última vez, numa visita rápida e fugaz que te impus usando toda a coragem que poderia ter. Avancei primeiro, viste? Acho que ficaste orgulhosa de mim. Sabes, no teu íntimo, que me ensinaste a crescer. Ensinaste-me tantas coisas mais que poderia ficar aqui uma vida e outra a contá-las e ainda não teria tempo suficiente. Não é exagero e louvor a quem já não temos, o que normalmente se usa fazer. Não. Tu sabias, sabes ainda, que sempre te dei o devido valor. Tinha-te como um bem adquirido, que talvez não fosses, mas com mais valor do que qualquer outra coisa ou pessoa no meu mundo. Eras o centro por quem me guiava, o modelo que seguia, o molde do que quero ser. Eras, e és ainda, por isso não te deixaria partir assim, sem sentir que também te dói, que também o sentes, que também choras. Não é o prazer de dividir a dor contigo que queria, era antes o sentimento de pertença a alguém. É saber que alguém precisa de mim tanto quanto eu preciso dela.
Partis-te hoje, embargada no nevoeiro de uma noite mal dormida. Todos os sonhos começam assim, num misterioso nevoeiro…

Ausência

Faz imenso tempo que cá não venho. Quase um ano, em que imensa coisa mudou...e em que a maioria ficou na mesma.
Senti, agora que me sinto "mais só do que sozinha", uma vontade tremeda de escrever para alguém que não conheço. Não ter vergonha, não esconder, chorar e gritar e dizer parvoíces sem que me condenem ou julguem. Não dar explicações ou fazer promessas (sim, não prometerei vir cá muito frequentemente..) para não ter de as quebrar. Vir, ir e voltar e saber que alguém, pelo menos uma pessoa, estará à minha espera.
2009, cá vamos nós.

PS: Todos os textos com a tag "Diário da tua ausência" são puras invenções ;)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Amo-te*




sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Passeios



Voltei aquela cidade tão minha e tão diferente, composta por extremos e por agitação. As pessoas andam ali, à semelhança de qualquer outra cidade grande, com passos apressados e sorrisos escondidos. Caminham na confusão do seu dia-a-dia e correm tentando ultrapassar o tempo.

Eu, para contrastar, andava com a calma de quem nada tinha para fazer, apenas sentir o sol e abraçar o ar. Apanhei o metro, sem a correria dos outros todos. Com a música como companhia este ia ser o meu dia.

Iria concertar a alma e dar-lhe o conforto que precisava.

Sabia que aquela não era a minha estação, mas toca a sair e ir a pé. Páro, entro no café mais próximo e peço um café, acho que um bocado alto..pela cara do senhor. Enfim, a música não podia parar. Entretenho-me a ler o signo que vem estampado na carteira do açúcar mas sentia o sol chamar por mim.

Pés ao caminho.

Desço toda aquela avenida olhando as montras prontinhas para o (piroso) dia dos namorados. Bem sei que há autocarros a toda a hora para a praça mais agitada da cidade mas cansar-me fazia-me bem. Vinte minutinhos de caminho e cheguei.

A casa estava brilhante como sempre. Ao entrar sabia que a agitação do mundo exterior iria acabar e tudo seriam passos de dança.

Assisto ao "espectáculo" do café, que uma míuda qualquer me decidiu oferecer e maravilho-me com aquela melodia, com aquele som suave, com aqueles olhos e com aquele violino.

Mas o tempo passa a correr e já está na hora de apanhar o comboio rumo a casa.

Casa da Música, Porto (7.2.08)






Parece que a Primavera decidiu vir a correr aquecer-me a alma e aconchegar-me o peito. São duas da tarde e apanho mais uma vez o comboio. Vamos conversando e falando disto e daquilo, conversas banais para passar o tempo. Faço toda a viagem de olhos fechados a sentir o sol da janela na cara. Chegamos à estação no meio de meia dúzia de mães e criancinhas que vão ao McDonalds lanchar mas nem nos viramos ao shopping. Não. Vamos antes à praia. Quero sentir aquele frio gelar-me os braços e o sol aquecer-me a cara. Quero senti-me viva, de novo.


Com toda aquela viagem a pé estava com medo de já não apanhar o sol. Mas não. Chegamos mesmo a tempo de ver a sua descida calma e serena em direcção ao horizonte.


Tu armavas-te em artista e tiravas fotos a tudo e todos. Eu queria estar sozinha ali. Não vos estou a descartar amigos, mas precisava daquele momento meu. Ouvimos ao lado uma pequena a chorar e a gritar que o sol se vai afogar no mar. Ingenuidades.


Quando acabou não fomos embora. Ficamos ali a sentir aquele frio sem dizer palavra. Disseste que me amavas e eu não respondi. Não por já não ter a certeza, mas sim por ter deixado de saber se isso é bom ou mau.


Já não tenho certezas e isso dói-me.


Antes de partirmos dou-te um abraço, para saber se ainda és a mesma, se ainda somos iguais.


Praia Norte, Viana do Castelo (9.2.08)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O que posso perder, afinal?

Chegou a altura de levantar a cabeça sem ter medo que o vento me derrube. Vou sentir esse friozinho na cara, vou abrir os olhos e seguir caminho. Posso cair já ali à frente, posso raspar os joelhos e fazer uma grande ferida. Posso tropeçar e ficar sozinha no chão, que mal tem?
Continuo com os sonhos guardados e com uma vontade imensa de os viver, faltam-me, para já, forças para os concretizar. Sozinhos eles não vêm, não sabem o caminho sem a minha ajuda. Cabe-me a mim tira-los da gaveta e agarrá-los com unhas e dentes. Então está mesmo na hora de olhar o sol e enfrentar o vento, de me encolher no casaco e de não me proteger da chuva...
Posso tropeçar nos cordões mal apertados e magoar-me à seria...

Afinal, não tenho nada a perder!


Cópia

" Sentou-se no vazio das horas que iam passando nessa medida infindável em que se tornou o tempo. (...) Via a vida a passar pelos laços invisíveis do olhar, sem mostrar o mínimo de preocupação com o que se seguiria nessa sua vida triste de abandono à solidão. Temia a vida mais do que a morte e ria das preocupações dos outros consigo próprios, enquanto bebia da garrafa onde acumulava a sua sorte.
Via a vida com a cor indefinida que sempre o caracterizou. Deixou este mundo e os outros sem rasto. A sua cor confundiu-se com a cor dos dias que passaram depois de também ele passar sem marcar o mundo. (...) Evaporou-se num fumo cinzento indefinido. Num esgar cínico, com a mesma hipocrisia com viveu a sua vida a partir do momento em que a matou.
Abandonou-se à foice da morte, que veio vestida de cinzento para melhor se confundir com ele próprio e a sua cor, ou a falta dela
."


100 Sentidos, aqui
Li isto e simplesmente adorei.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008


Eu quero

e preciso

de viver junto a ti!



Há dias assim, frios e cinzentos...

domingo, 27 de janeiro de 2008

Parabéns

'Tu és o meu amor perfeito, que me compra colares e me escreve bilhetes,que me dá a mão na rua e que me abraça no meio de todas as praças. Tens um sorriso enorme e sempre que olhas para mim, sinto uma fábrica de borboletas no estômago e tenho vontade de rir e de chorar ao mesmo tempo, porque sabes fazer-me a pessoa mais feliz do mundo.''

Margarida Rebelo Pinto – in Público
Escreveu-o ao acaso, sem personagem certa.
Mas eu li-o para ti.

Parabéns!
Adoro.te <3

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Era uma vez...


A infância tem brilho e ternura e toda a ingenuidade que permite tornar cada pequeno gesto e brincadeira na coisa mais séria do mundo.
Quando era pequena, (sim, na foto sou mesmo eu =$) estalava os dedos e tornava-me um fada, com um varinha prateada e um estrelinha na ponta. Fazia Plim para todos os meus desejos se tornarem realidade e perguntava a todos qual a coisa que mais desejavam. "Sim, diz-me que eu arranjo para ti!" - enquanto tentava, em vão, esconder a varinha de condão atrás das costas.
Hoje senti o cheiro da infância, o cheiro a algodão doce e a leite morno. Hoje desdobrei cada desenho e li cada trabalho que guardei. Li poemas para a mãe e desenhos para as irmãs. Hoje vi todas as fotos que a mãe guarda religiosamente.
Hoje senti aquele calorzinho de quem pinta a vida a lápis de cor para poder misturar todas as cores sem borratar o desenho.